CLIMA, TOPOGRAFIA E SOLOS

Em uma nação com as dimensões do Brasil, seria impossível resumir ou generalizar as características de terroir. Para se ter uma ideia, mais de 3,5 mil quilômetros separam a Campanha, no extremo Sul, e o Vale do São Francisco, próximo à linha do Equador, duas das mais importantes regiões produtoras do país.

 

Isso não significa que as zonas vitivinícolas brasileiras não compartilhem de aspectos em comum. Em termos de topografia, por exemplo, o terreno acidentado da Serra Gaúcha, dos Campos de Cima da Serra e do Planalto Catarinense oferece excelente drenagem. As montanhas e vales são uma solução natural para o que é apontado como uma das maiores dificuldades dos viticultores brasileiros: a umidade. Essas três regiões também têm em comum a altitude, que vai de 400 a 1.400 metros acima do nível do mar - outra explicação para a elegância dos vinhos aí elaborados, que contam com uvas lentamente amadurecidas.

 

Já a Campanha e a Serra do Sudeste não dependem deste tipo de topografia, pois anualmente registram menor precipitação. As videiras estão instaladas em suaves colinas, onde o vento é uma constante - o que contribui para ótima amplitude térmica na temporada de calor. Também registram o mesmo tipo de solo, de origem granítica ou sedimentar - diferente da terra argilosa e assentada sobre basalto das demais regiões descritas acima.

 

Em todos os vinhedos do Brasil meridional, o clima é formado por quatro estações bem definidas, de verões bastante quentes e invernos igualmente rigorosos. Ainda assim são registradas variações microclimáticas importantes na construção da identidade dos vinhos. No Planalto Catarinense, por exemplo, há certa influência oceânica nos vinhedos, enquanto os parreirais do Rio Grande do Sul são moldados em condições temperadas, marcadas pelo calor.

 

A região brasileira que foge a qualquer generalização em relação às demais é o Vale do São Francisco. Aliás, pode-se dizer que é uma vitivinicultura única no mundo. Instaladas nas planícies do semiárido nordestino, as videiras são reguladas pela irrigação. Essa indução de cada planta a determinada fase do ciclo natural das vinhas permite que, num mesmo terreno, haja exemplares em dormência ao lado de outras carregadas de uva. Com esse tipo de organização, as vinícolas lá instaladas extraem duas safras anuais de cada parreira, num ritmo em que se mantém a qualidade das frutas. Os solos sedimentares do Rio São Francisco, fonte de água para as plantações, ajudam a construir a personalidade dos vinhos nordestinos.